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julho 19, 2005

Antigamente

Estou num lugar de que gosto. Antigamente, dizem-me aqui, era difícil cá chegar. Em três horas e meia cheguei cá. Atravessei o mar acima das nuvens. Atravessei a ilha pelos túneis. Quando cá cheguei ainda se via o sol ao longe, como que a fugir. Mesmo mesmo a desaparecer. Jantei, andei um pouco e descobri a lua. A minha lua, mesmo por trás do monte. Do monte vi a silhueta preta, pintalgada com as luzes das estradas e das casas. Tirei uma data de fotos. E lembrei-me do meu namoro mais recente. A bem dizer, já passou da fase do namoro. Já é mais uma paixão que outra coisa. Ás tantas nem foi namoro. Foi paixão à primeira vista! Uma 350D, que ainda não sei com vou adquirir!
E foi aí que me lembrei da minha varanda, e vim ver como é que estava. Nenhum comentário. Fiquei cabisbaixo. Estou no átrio do hotel. Ou melhor, de um dos hotéis cá do sítio. Aqui têm um posto de 'acesso à internet'. De borla, ou por simpatia da menina da recepção. Fiquei sem perceber. Está tudo tranquilo. O bar já fechou. A senhora foi simpática, porque ainda me serviu um pedaço de álcool irlandês. A música é de 'elevador de hotel', mas práticamente não se consegue ouvir. Acabou de me desejar boa noite a senhora do bar. Amanhã é dia de "pica boi", como dizia a minha Avó. No tempo dela não se trabalhava tão longe de casa. Os tempos eram outros. Não andava de avião, nem sequer de carro. Mas ia a Coimbra, a pé (cerca de 30 Kms para ir e outros tantos para regressar) para vender os ovos. Ou melhor, para vender os ovos e gastar o valor da venda logo ali, no mercado, em algo que precisasse. Para o filho, imagino eu. Para ela também. Para os que 'trabalhavam para a casa', talvez. Devia ser duro. O marido nos states. Montes de anos, e ela sempre a cuidar da casa, das terras, das vinhas, do quintal, dos pinhais. Tudo para um dia o filho vir a ser o Sr. Professor. Demorava ela mais a ir e a vir para/de Coimbra que eu gasto agora para atravessar o mar, por cima das nuvens. E lamento eu estar longe da minha pequenina! Amanhã é dia de 'pica boi'. Lá terá de ser. A vida é assim. Felizmente gosto do que faço. Quando se está longe tem-se tempo para se pensar. No tempo, na varanda, nas nuvens, no mar (aqui quase lhe toco), naqueles de quem gosto, na minha pequenina. Está na hora de me deitar. Não vai ser fácil adormecer. Vou falar com a minha pequenina.Pode ser que me embale. Vou oferecer-lhe um mimo, vou dizer-lhe que a amo.

Publicado por dono da lua às 11:43 PM | Comentários (0)

julho 17, 2005

A minha Tabuinha

Agora... estou confortavelmente sentada numa cadeira, cujas rodinhas na pata espalmada, facilitam a deslocação ao longo da mesa onde se acomoda tudo o que preciso para entreter o tempo que sobra entre o preparar das refeições, do passar a ferro, do arruma a cozinha, do lava a louça, do coser a roupa... enfim das tarefas que bem cedo aprendi, de que tanto aproveitei e de que ainda me não aposentei.
Estou na Sala dos Mimos!
continua ... >

Escrito por Maria Ezequiel, para os filhos e para os netos

Publicado por dono da lua às 04:26 PM | Comentários (0)

julho 15, 2005

Sobre a amizade

De novo a amizade, agora segundo a Menina Marota.

Publicado por dono da lua às 11:51 PM | Comentários (2)

julho 11, 2005

Mar, sempre mar !



Não quero insistir muito com o mar, mas a verdade é que comentaram que pintei mar nas telas que viram. Não sei bem como me sairei da próxima, pois vai ser duro pintar uma de 80x60. Mas tudo bem. Obrigado pelo desafio. Já devem ter reparado que não sou muito de fugir a desafios. Espero divulgar o resultado daqui a um ano, quando dos 50.

Foram simpáticos, brincalhões e provocadores quanto baste. Mas no fundo, bem lá no fundo, foram amorosos.

Por isso ofereço-vos uma recomendação. E não se esqueçam de a seguir, porque eu sei do que falo. Podem crer que sei. Leiam-na com a música que aqui vos deixo. E ouçam o que ela vos diz.

Férias muito felizes para todos, tanto para os que vão para longe, como para os que por cá vão ficar.

Milhões de mimos, beijitos e abraços.
Até um dia destes.

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Não se esqueçam que

com o passar dos anos
aprendi com a vida.
Ou se vive intensamente
ou o nosso sonho termina.

Por isso, onde quer que vão,
numa noite em que a lua não vos sorria,
procurem um pedaço de lugar gingão
e peçam música com alegria.

Dêem a mão e sorriam.
Um para o outro, é claro,
mas sorriam.

De frente e sorrindo sempre,
como que se mirassem ao espelho,
mão esquerda no enfiamento dos ombros.
E olhos nos olhos, sempre, sempre.

Podem começar com a base de samba.
Nada de abanar os ombros.
Mas as ancas sim, essas sim.
Pé direito quase fixo.
O esquerdo para a frente e para trás.

Depois, para a esquerda, mas de frente.
E para a direita, mas sempre de frente.

Com o passar dos anos
o carinho é mais forte,
a gente vive o presente
não se brinca com a sorte.

De anca com anca,
abrindo para fora, em jeito de rumba.
Com um dos braços não a deixando fugir
e o outro abrindo esticado.
Rodopiando e agora
o mesmo para o lado oposto.

Transpirando? Não é grave,
porque esse gosto é de mar.

Água doce, água do mar,
por água vem e por água vai.
Água doce, água de mar.

Água que cai do céu
e que as ondas vão levar,
eu te quero beber doce,
mas teu gosto é de mar.

Com o passar dos anos,
nós medimos nossos passos.
Seguimos um bom caminho
p’ra esquecer os fracassos.

Sorrisos de quem observa, por
tantos estilos misturados ?

Não se preocupem, porque

com o passar dos anos
tanta coisa se aprende,
o coração se faz duro,
o sentimento se acende

e a ideia é fazer com que
a vida e a lua vos sorriam.

Se não conseguirem atinar,
não se apoquentem.
Fica a intenção,
da dança e da lição.

Mas sigam o que vos digo,
porque eu sei do que falo.

E não é preciso saber dançar.
Basta sorrir e querer,
muito muito,
continuar a amar.

E quando regressarem,
não precisam de contar.
Guardem só para vós,
se o gosto foi a doce ... ou a mar.

Também eu espero
descansar, dançar e

... amar.

Publicado por dono da lua às 12:36 AM | Comentários (4)

julho 06, 2005

amanhã vou deixar que me fotografem

O que vemos de alguém
em determinado momento,

é uma foto instantânea da sua vida,
na riqueza ou na pobreza,
na alegria ou no desespero.

As fotos instantâneas
não revelam o milhão
de decisões (e de indecisões)
que conduziram até àquele momento.


(uma aventura no espírito - Richard Bach )

Publicado por dono da lua às 12:23 AM | Comentários (3)

julho 02, 2005

As gaivotas

gaivota.jpg


Nem sempre lá andam,
mas por vezes aparecem por lá.

Quando lá andam, são muitas. Muitas.

Voam alto, como canta o Júlio.

Voa amigo, voa alto
Não voe perto do mar

Mas também voam baixo,
coisa que o Júlio não recomenda.

Não sejas gaivota no mar
É fácil se atrapalhar
Quando se voa tão baixo

Questão de sobrevivência,
coisa que o Júlio parece saber.

Aqui tens que fazer tudo
Sem perder jamais o passo

Quando lá andam, são muitas. Muitas.

Aparentam desconhecer o perigo.

Aqui nada é de graça
Tudo tem um alto preço

Sujeitam-se a ser apanhadas.

Pedaço que vais subindo
Pedaço que vais pagar
Adoram soltar tua mão
Se vêem que para baixo vais

Deviam ser aconselhadas.

Cuidado com o que fazes
Nunca olhes para trás
Senão o que conseguistes
Outros voltam a tirar.

Porque isto não está fácil.

Aqui, quem fica em terra,
Leva a parte pior
Vão-se-lhe fechando portas
Vai-se-lhe negando o melhor.

Apetece gritar-lhes.

Amigas, aproveitem o vento
Quando sopra a vosso favor
Que ele vos leve longe
Quanto mais longe melhor

Voem alto, amigas, voem alto.

Publicado por dono da lua às 12:24 AM | Comentários (2)